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Sem tesão não dá: A necessidade de se trabalhar a motivação

Como disse o pichador de um cemitério em São Paulo que inspirou o psiquiatra Roberto Freire a escrever seu livro: sem tesão não há solução. A tão referenciada geração Y (nascidos entre o final da década de 70 e início dos anos 80) sabe o que é isso. É preciso trabalhar a motivação.

Maslow delineou as necessidades fundamentais, mas o ser humano, em sua constante evolução, não é estático. Não basta mais atender somente as necessidades básicas (biológicas e de segurança), afetivas e de realização. Há uma geração de profissionais que busca o tesão, busca um sentimento de paixão profissional que se sobressai ao salário e à segurança profissional. Eles precisam de motivação.

Roberto Freire sabiamente explica o sentido da palavra neste contexto: trata-se de um interesse que não é apenas mental, existencial, mas também corporal e sensorial. Ou seja, é um interesse de busca por motivação que causa êxtase pela importância individual. E este sentimento é tão poderoso que muitas vezes se sobressai aos delineados por Maslow.

Trabalhar por vontade própria na reconstrução do Iraque, em uma missão de paz no Afeganistão ou no socorro às vitimas do Haiti requer uma dose considerável de tesão (claro, desconte quem faz qualquer coisa por dinheiro). Menos exagerado, considere o seu amigo que largou a multinacional para empreender. Ele escolheu por motivação.

São comuns as histórias de abandono de carreira promissora (do ponto de vista hierárquico) de profissionais que trocam salário por motivação.

Na década de 80 e início dos anos 90, sair de uma empresa com menos de dois anos de trabalho era visto com péssimos olhos. Esta geração Y aprendeu a correr riscos. Teve a ajuda, claro, da globalização, da abertura de mercado e do crescimento vertiginoso da indústria de bens e serviços, que proporcionaram mais opções e facilitaram o crescimento da postura de assumir o risco da mudança. Mesmo assim, há o mérito.

Seth Godin é o autor de um excelente livro que muito enaltece a postura de quem tem tesão em Linchpin: Are you indispensable?. Reflete a mudança da postura profissional de quem quer ser visto como referência, peça chave (linchpin). Para se destacar é necessário fazer bem feito, e nada melhor para motivar a fazer bem feito do que ter tesão pelo que se faz, diferente de fazer somente pela responsabilidade e/ou o salário ao final do mês.

Existe uma geração inteiramente diferente no mercado e que requer uma atualização na postura dos gestores. Salário por si só já não é suficiente. Dê-lhes desafios e algo em que acreditar.

Artigo também disponível no Webinsider.

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